Análise

Cirurgia a laser de pedra no rim: como é e quanto repouso

Publicado em

A cirurgia de pedra no rim a laser, chamada ureteroscopia, é feita sob anestesia e sem corte na pele. Um aparelho fino entra pela uretra e sobe pela via urinária até o cálculo, onde uma fibra de laser quebra a pedra. Os pedaços maiores são retirados e o pó sai com a urina. Com laser de alta potência e bainha com aspiração, cálculos de até 2 a 3 cm podem ser tratados por esse caminho em casos selecionados. A alta costuma sair no mesmo dia ou no seguinte. Parte dos pacientes fica algumas semanas com um cateter duplo J, e a maioria volta a atividades leves em poucos dias.

Ilustração esquemática de um rim com um endoscópio flexível e um feixe de laser fragmentando um cálculo em pó.

Quando o cálculo não sai sozinho, ou não deve ficar esperando, a decisão pelo procedimento costuma levar à ureteroscopia, que é o que muita gente chama de cirurgia de pedra no rim a laser. Daí em diante as perguntas ficam práticas: como é feita, quantos dias de hospital, o que é esse duplo J e quando dá para voltar à rotina.

Antes da cirurgia

  • Tomografia recente sem contraste: mostra tamanho e posição do cálculo e, pela densidade, dá uma ideia de quão dura é a pedra.
  • Exame de urina e urocultura: infecção urinária precisa ser tratada antes. Se houver febre com obstrução, o primeiro passo é desobstruir o rim, e a pedra fica para uma segunda cirurgia.
  • Medicações: anticoagulantes e antiagregantes são ajustados com antecedência, junto com o médico que os receitou.
  • Jejum, conforme a orientação da anestesia.

Como é feita

A anestesia pode ser raquidiana ou geral. Com o paciente anestesiado, o aparelho entra pela uretra até a bexiga e sobe pelo ureter até o cálculo. No ureter costuma-se usar o aparelho semirrígido. Dentro do rim usa-se o flexível, que dobra a ponta para alcançar cada cavidade.

A pedra é quebrada com laser de alta potência, de túlio ou de hólmio com modulação de pulso. Esses lasers deixam partículas menores e empurram menos o cálculo a cada disparo, o que evita que uma pedra do ureter escape para dentro do rim durante a cirurgia. Nos estudos, o túlio deixou mais pacientes sem pedra do que o hólmio convencional, sobretudo em cálculos renais. Comparado ao hólmio moderno, o resultado foi parecido.

Quando o cálculo está no rim, pode-se usar uma bainha de acesso com aspiração. É um tubo colocado no ureter, ligado a uma aspiração contínua, que puxa o pó e os fragmentos durante a cirurgia e mantém baixa a pressão dentro do rim. Ela se associa a mais pacientes livres de cálculo e a menos febre depois da operação. Em cálculos de 2 a 3 cm, um ensaio randomizado internacional comparou a ureteroscopia com bainha à cirurgia percutânea: o resultado foi equivalente, com cerca de dois dias e meio a menos de internação e menos sangramento, mas a cirurgia durou mais. O uso depende do caso e do material autorizado pelo plano.

Os fragmentos maiores saem presos numa pequena cesta, e o pó é eliminado com a urina nos dias seguintes. Sempre que possível, a pedra vai para análise de composição.

O cateter duplo J

Em parte dos casos, a cirurgia termina com um cateter duplo J, um tubo fino que liga o rim à bexiga e garante que a urina passe enquanto o ureter desincha. A decisão de deixá-lo é tomada durante a operação, pelo inchaço, pelo tempo de manipulação e pelos fragmentos que sobraram.

Com o duplo J é normal sentir vontade frequente de urinar, um incômodo no flanco na hora de urinar e ver a urina rosada. Nada disso indica complicação. Ele é retirado em consulta, num procedimento rápido, no prazo combinado. Um duplo J esquecido pode trazer problemas sérios, então a data da retirada já sai marcada antes da alta.

A recuperação

A alta costuma acontecer no mesmo dia ou no dia seguinte, quando a pessoa está urinando bem e a dor está controlada com remédio por via oral. A urina pode ficar rosada por alguns dias, principalmente com o duplo J, e a dor em geral é leve a moderada e cede com analgésicos comuns.

Trabalho leve volta em poucos dias. Esforço físico pesado espera mais, de acordo com a orientação de alta. Depois, um exame de imagem confirma se sobrou algum fragmento que precise de atenção.

Sinais que pedem contato imediato

  • Febre de 38 °C ou mais, ou calafrios;
  • Dor forte que não melhora com a medicação prescrita;
  • Dificuldade ou impossibilidade de urinar;
  • Sangue vivo com coágulos na urina.

Febre depois de cirurgia urinária precisa de avaliação no mesmo dia, sem esperar o retorno marcado.

Pelo plano de saúde

A ureteroscopia a laser exige autorização prévia, e os materiais (fibra, cesta, bainha com aspiração) passam pela mesma análise. Há um ponto que pega muita gente de surpresa: quem declarou a litíase como doença preexistente ao entrar no plano fica, nos primeiros 24 meses, sob cobertura parcial temporária e pode ter a cirurgia negada nesse período. Vale conferir isso antes de marcar.

O que a cirurgia não resolve

Tirar a pedra resolve o episódio de agora. A tendência de formar outras continua, e laser nenhum, nem a aspiração, muda isso. Quem orienta a prevenção é a análise do cálculo e os exames metabólicos, que definem hidratação, dieta e, quando preciso, remédio. Também vale saber que pedras maiores podem pedir uma segunda cirurgia mesmo com laser e bainha.

Se o seu cálculo tem indicação de procedimento, traga a tomografia para a consulta. É com o tamanho, a posição e a densidade da pedra que se escolhe a técnica e se organizam o preparo e a data.

Perguntas frequentes

A cirurgia de cálculo renal a laser tem corte?

Não. Na ureteroscopia o aparelho entra pela uretra e chega ao cálculo pela própria via urinária, sem incisão na pele. O corte no flanco é da cirurgia percutânea, usada sobretudo em cálculos maiores ou complexos.

Quanto tempo de internação depois da ureteroscopia?

Na maioria dos casos a alta sai no mesmo dia ou no dia seguinte, quando o paciente está urinando bem e a dor está controlada com remédio por via oral. Cálculos maiores, infecção antes da cirurgia ou outras doenças podem pedir mais tempo de hospital.

Vou sair da cirurgia com duplo J?

Talvez. O cateter duplo J mantém o ureter aberto enquanto o inchaço da cirurgia passa. Quem decide se ele fica é o cirurgião, durante a operação, olhando o edema, o tempo de manipulação e os fragmentos. A retirada é marcada antes da alta.

Quando posso voltar a trabalhar?

Trabalho de escritório e atividades leves costumam voltar em poucos dias. Esforço físico pesado espera mais, principalmente enquanto o duplo J estiver no lugar. O prazo é combinado na alta.

A pedra pode voltar depois da cirurgia?

Pode. A cirurgia tira o cálculo que existe hoje, mas a tendência de formar pedras continua. A análise da pedra retirada e a investigação metabólica mostram o que fazer para reduzir novos episódios.

Tem uma dúvida sobre o seu caso? Uma consulta esclarece o que este texto não pode individualizar.

Falar no WhatsApp